sábado, 9 de outubro de 2010

VENHA ANDAR SOBRE AS ÁGUAS


Quero convidar você a uma caminhada...


Entre outras coisas, a Bíblia é uma lista de caminhadas inesquecíveis. A primeira foi dada pelo próprio Deus, que, como sabemos, costumava caminhar pelo jardim na hora mais fresca do dia. Via de regra, porém, Deus convidava alguém para caminhar com Ele.


Houve a difícil caminhada de Abraão com seu filho Isaque à região de Moriá. A caminhada libertadora de Moisés, acompanhado dos israelitas, por um terreno normalmente ocupado pelo mar Vermelho, e a penosa caminhada que o fez vagar pelo deserto por quarenta anos. Houve a caminhada triunfante de Josué ao redor de Jericó, a caminhada reveladora dos discípulos para Emaús, e a caminhada interrompida de Paulo para Damasco. E também uma caminhada tão triste e santa que recebeu nome próprio: do Pretório ao Gólgota, denominada Via Dolorosa.


Mas talvez a caminhada mais inesquecível de todas tenha sido feita por Pedro no dia em que saiu do barco e andou sobre as águas. Inesquecível não tanto pelo lugar em que aconteceu como pelo lugar sobre o qual Pedro andou e por quem o acompanhou. Acho que foi a melhor caminhada de toda a sua vida.


A caminhada de Pedro serve de convite para todos os que, como ele, querem dar um passo de fé e experimentar mais do poder e da presença de Deus. Que andar sobre as águas seja metáfora para fazer, com a ajuda de Deus, aquilo que seria impossível por meios próprios.



Mateus 14:22-33


Nossa pergunta central é: De que é feito alguém que anda sobre as águas?


Quem anda sobre as águas reconhece a presença de Deus


Depois de alimentar uma grande multidão a partir de cinco pães e dois peixinhos, Jesus queria ficar só e ordenou a seus discípulos que partissem sem ele (v 22). Pedro nem se preocupou com isso, pois passou toda a sua vida dentro de um barco. Mas dessa vez eles foram alcançados por uma tempestade. No versículo 24 diz que o barco estava sendo açoitado (castigado) pelas ondas. O máximo que conseguiram fazer foi impedir que o barco virasse. As três horas da madrugada, já não estavam preocupados em chegar na outra margem senão em permaneceram vivos. Nesse momento um dos discípulos avista um vulto caminhando sobre as águas e todos, então, sendo atribulados pela forte tempestade, imaginam que a morte se aproxima e dizem: “é um fantasma!!!” (v. 22). Em geral, no meio da tempestade, fustigados pelas ondas da desilusão e da dúvida, nós não reagimos melhor do que eles...


O que Jesus pretendia passeando no lago às três horas da manhã? Marcos 6:48 narra esta mesma história e conta que Jesus estava por passar por eles. No antigo testamento o verbo grego parerchormai (passar por) é usado naqueles momentos em que Deus fazia aparições impressionantes para escolher alguém com o propósito de transmitir uma mensagem. Ex.: Ex. 32:22 Deus colocou Moisés na fenda da rocha para ver “minha glória passar”( parerchormai)... “e passou (parerchormai ) diante de Moisés” Ex. 34:6. Em 1 Rs. 19:11 Deus disse a Elias que se colocasse no monte pois “o Senhor vai passar”( parerchormai). Deus precisava chamar a atenção do povo, Ele iria chamar a cada uma dessas pessoas para fazer algo extraordinário. Todos eles sentiram medo. Mas quando disseram sim ao seu chamado, experimentaram o poder de Deus em suas vidas. Portanto, quando Jesus se aproximou dos discípulos sobre as águas, com a intenção de “passar por eles” (parerchormai) ele estava revelando sua presença divina e seu poder divino. Os discípulos ainda não entendiam bem, mas Deus os visitava em carne e osso andando sobre as águas.


Quem anda sobre as águas discerne entre fé e loucura


Disse Pedro, sem pensar: “se és tu, manda-me ir ao teu encontro sobre as águas”(Mt. 14:28) – Porque Pedro não pulou dentro da água de uma vez? Porque a história não tem haver apenas com correr riscos, mas principalmente com obediência. Devo discernir entre o chamado autentico de Deus e aquilo que é somente um impulso tolo de minha parte. Não basta ser corajoso. Deve-se ter sabedoria e discernimento. Pedro não quis se divertir, ele esperou que Jesus lhe conferisse autoridade para partilhar com Ele daquele momento e diz: “Manda-me”!


Quem anda sobre as águas sai do barco


Já seria difícil para você andar sobre águas calmas, com o sol brilhando no céu, uma brisa suave soprando. Imagine tentar andar sobre as águas quando as ondas quebram com grande estrondo, com um vendaval soprando, às três horas da manhã, escuro como breu e você apavorado. Se coloque no lugar de Pedro. Você percebe que Jesus está passando (parerchormai) e te convida a participar da maior aventura de sua vida – andar sobre as águas. Mas ao mesmo tempo você morre de medo. Qual seria a sua opção: Água ou barco?


O barco é seguro, firme e confortável.


A água, no entanto, é um ambiente hostil. As ondas estão altas. O vento, forte. Você está no meio de uma tempestade. E se sair desse seu barco – qualquer que seja ele – há uma grande possibilidade de afundar. Mas se não sair, com certeza jamais você vai andar sobre as águas. Para andar sobre as águas é preciso sair do barco.


Qual é o seu barco? Seu barco é qualquer coisa que represente proteção e segurança para você, exceto o próprio Deus. É tudo aquilo em que você se sente tentado a confiar principalmente quando a vida fica turbulenta. Quer saber qual é o seu barco? Faça-se a seguinte pergunta: O que mais me dá medo – principalmente quando penso em deixar para traz em um passo de fé? (profissão; relacionamento; falta de amor; pornografia; prostituição; segredo (confissão de pecados); viver para satisfazer a outrem; o sucesso...) em que área de sua vida você se retrai todo para não confiar plena e corajosamente em Deus? O medo lhe dirá qual é o seu barco. Deixar esse barco pode ser a atitude mais difícil de toda a sua vida. Mas se você quiser andar sobre as águas vai ter que sair desse barco.


Quem anda sobre as águas sabe que terá problemas


Pedro sai do barco (Mt.14:29)... Por algum tempo parece que só existem Pedro e Jesus em cima da água. Pedro está radiante de felicidade. Jesus está emocionado com seu discípulo. Tal mestre, tal discípulo...


Então, acontece. “Pedro reparou no vento” (Vs. 30).


A realidade instalou-se, e Pedro se perguntou: “Onde é que eu estava com a cabeça?”. Percebeu que estava sobre as águas em meio a uma tempestade, e sem um barco sobre seus pés. Apavorou-se. A verdade é que nada havia mudado. A tempestade não deveria ser uma surpresa – estava ali o tempo todo. Acontece que o foco de Pedro mudou do Salvador para a tempestade.


Todos nós sabemos o que significa “reparar no vento”. Você parte em uma nova aventura cheio de esperanças. Um novo emprego, talvez; ou quem sabe tenha resolvido experimentar uma nova área de talentos espirituais; talvez esteja tentando servir a Deus de uma nova maneira. A princípio, sente-se cheio de fé – não há uma única nuvem no céu.


Então a realidade se instala. Contratempos. Oposições. Obstáculos inesperados. Você repara no vento. Já era de se esperar – o mundo é um lugar de muitas tempestades. Mas, de alguma forma, os problemas ainda têm o poder de nos pegar de surpresa.


Por causa do vento, algumas pessoas resolvem nunca sair do barco. Se você sair, vai enfrentar o vento e a tempestade lá fora. Mas você já deve saber que não existem garantias de que a vida no barco será mais segura.


Sair do barco envolve correr perigo, mas continuar no barco também é perigoso. Se você vive no barco – seja ele qual for – um dia vai morrer de tédio e estagnação (daí vem a depressão). Tudo é arriscado.


Quem anda sobre as águas aceita o medo como o preço do crescimento


Chegamos a um ponto da história em que talvez você não goste muito. A opção de seguir a Jesus – de crescer – é também a opção pelo retorno constante do medo. Você tem que sair do barco dia após dia.


Aqui está uma verdade profunda a respeito de andar sobre as águas: O medo nunca irá embora. Por quê? Porque toda vez que eu quiser crescer, terei que passar por um território novo, aceitar desafios novos. E sempre que fizer isso, experimentarei medo de novo. O medo nunca irá embora enquanto eu estiver crescendo!!!


Podemos dizer que os onze discípulos ficaram “morgando” enquanto tudo acontecia. Para eles não era incomodo algum assistir a cena de Pedro saindo do barco e andar sobre as águas. Isso não os incomodava, só não queriam participar da cena.


Hoje, existem milhões de pessoas “morgando” nos bancos das igrejas. Desejam parte do conforto associado à espiritualidade, mas não querem o risco nem o desafio que fazem parte da vida de quem segue a Jesus de verdade. No entanto, Jesus ainda procura pessoas dispostas a sair do barco. Jesus ainda quer encontrar alguém que diga, com licença da palavra, “Sou uma besta, Senhor, porque, até hoje, não fiz outra coisa na vida além de ‘morgar’, mas a partir de agora sou uma besta ao teu serviço”.


Queridos, risco e conforto tendem a se transformar em hábitos. Cada vez que você sai do barco, aumenta a probabilidade de repetir essa atitude na próxima oportunidade. Não porque o medo tenha ido embora, mas porque você se acostumou a conviver com ele. Você descobre que ele não tem poder para destruí-lo.


No entanto, toda vez que resiste, toda vez que opta por ficar no barco e não dar atenção ao chamado, a voz em seu interior silencia um pouco a cada dia. Até que, um dia, você não a ouve mais.


Quem anda sobre as águas sabe administrar o fracasso


Por reparar no vento e ceder ao medo, Pedro começou a afundar. Isso levanta uma questão: “Pedro fracassou? De certa forma, sim! Sua fé não era forte o suficiente. Suas dúvidas a superavam. Ele “reparou no vento”. Desviou o olhar daquele para o qual devia se voltar. Afundou. Fracassou.


Mas na verdade eu sou da seguinte opinião: havia onze fracassados bem maiores sentados naquele barco. Fracassaram em silencio. Em segredo. Ninguém percebeu, ninguém comentou, ninguém criticou. Só Pedro conheceu a vergonha de fracassar em público. Porém, somente ele conheceu outras duas coisas: 1) a glória de andar sobre as águas e 2) o que significa tentar fazer o que lhe seria impossível sozinho. E mais: somente ele conheceu a glória de ser erguido por Jesus em um momento desesperador. A partir dali, Pedro estabeleceu um vinculo de confiança em Jesus como nenhum dos outros discípulos. Também, nenhum dos onze ousou sair do barco. O pior fracasso é nunca sair do barco!


Quem anda sobre as águas encara o fracasso como oportunidade para crescer


(Vs. 30 e 31) Assim que Pedro pede ajuda, Jesus se coloca ao seu lado. Ele o ajuda fisicamente, tirando Pedro da água. Mas também o ajuda a crescer ao identificar o problema com precisão: “Homem de pequena fá, porque você duvidou?”. Eu não acredito que Jesus tenha sido áspero ou crítico. Ele dirige esse comentário a Pedro quando estão sozinhos na água. Pode ser que Jesus não quisesse colocar Pedro em uma situação embaraçosa na frente dos outros discípulos.


A disposição em correr o risco de fracassar ajudou Pedro a crescer.


Pior do que fracassar é saber que outros nos viram fracassar. É ou não é? Como Pedro se coloca na posição de fracassado, também se coloca na posição de crescer. O fracasso é parte indispensável do crescimento e do aprendizado. É esse o princípio da história: não é o fracasso que molda você, e sim a maneira como você reage ao fracasso. (Quem anda sobre as águas encara o fracasso como oportunidade para crescer).


Quem anda sobre as águas aprende a esperar no Senhor


Por que Jesus não fez a tempestade parar antes de Pedro sair do barco? Porque os discípulos precisavam aprender um pouco mais sobre “espera”. De certa forma “esperar no Senhor” é a parte mais difícil no exercício da confiança. Não é a mesma coisa que esperar por falte de alternativa melhor. “Esperar no Senhor” significa colocar-se (vulnerável ao extremo) em suas mãos.


Isaías 40:30 e 31 – 30 Os jovens se cansarão e ficarão exaustos, e os moços certamente cairão; 31 Mas aqueles que esperam no SENHOR renovam as suas forças...



Quem anda sobre as águas estabelece uma relação mais profunda com Deus


Jesus ainda procura pessoas que queiram sair do barco. Mas a pergunta é: Por que correr esse risco? Acho que existem algumas razões:


· É o único jeito de crescer de verdade.


· É o caminho para o desenvolvimento da fé verdadeira.


· É a alternativa ao tédio e estagnação que leva a pessoa a definhar e morrer.


· É assim que você descobre o seu chamado e o segue.


Existem vários outros motivos para sair do barco, mas tem um que supera todos os outros: É na água que Jesus está. A água pode ser escura, funda e perigosa. Mas Jesus não está no barco. Pedro saiu do barco porque queria estar com Jesus. O pedido de Pedro foi: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro”. Em seguida saiu do barco e “foi na direção de Jesus” (Mt. 14:28 e 29). E você? Quando foi a última vez que saiu do barco e foi ao encontro de Jesus? Deus usa os desafios do mundo real para desenvolver nossa habilidade de confiar nele.


Nós buscamos o conforto. Tentamos construir vidas com um mínimo de segurança e previsibilidade, de forma a mantermos a ilusão de que temos tudo sobre controle. Então Deus “passa por nós” (parerchormai) e transforma tudo. O chamado para sair do barco implica crise, oportunidade, fracasso muitas vezes, medo outras tantas, sofrimento de vez em quando e sempre uma tarefa grande de mais para nós. Mas não existe outro modo de desenvolvermos a fé e nos tornarmos parceiros de Deus.


Talvez, algum tempo atrás, pra você andar sobre as águas era uma rotina. Você colocava sua fé em prática mesmo que isso significasse rejeição; doava deliberadamente, mesmo que isso envolvesse sacrifício; servia mesmo diante da possibilidade de fracasso. Algumas vezes você afundou. Outras vezes andou sobre as águas. Mas viveu no limite da fé.


Mas agora faz muito tempo que você não sai do barco. Talvez você tenha um iate com um lugar bastante confortável para você.


Porém, o Senhor está passando (parerchormai)! Jesus ainda espera aqueles que vão sair do barco. Não sei o que isso significa pra você. Se sair do seu barco (seja ele qual for) você vai enfrentar problemas. Tem uma tempestade lá fora e sua fé não será perfeita. O risco sempre trás consigo a possibilidade de fracasso.


Mas se você sair, duas coisas podem acontecer:


1) Quando você fracassar (e isso vai acontecer algumas vezes) Jesus estará pronto para te segurar. Você nunca estará sozinho e


2) De vez em quando você vai andar sobre as águas..


Tome uma atitude de fé: SAIA DO BARCO...


Saindo do barco


1) Qual é o seu barco? Em que área o medo ou o conforto te impedem de confiar em Deus?


2) Em que área você precisa de discernimento para saber se de fato está sendo chamado para sair do barco?


3) Que risco você pode correr para ajudar a desenvolver a sua fé? Seria:


- Defender uma posição que você acredita numa conversa mais áspera?


- Expressar afeição, mesmo que te seja difícil?


- Aceitar um desafio, tendo consciência de que ele vai te trazer tensão?


4) Que fracasso do passado te assombra até hoje? Compartilhe com alguém esse fracasso, dando um passo para romper com o poder que ele exerce sobre você.


5) Qual a sua posição a respeito de Jesus hoje?


· De cócoras no barco, com colete salva-vidas e cinto de segurança?


· Com uma perna fora e outra dentro do barco?


· Andando sobre as águas e amando fazer isso?


· Fora do barco – embora sopre um vento tenebroso?

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